A História

A Oferta da Bandeira

oferta_da_bandeiraA 19 de Março de 1927 um grupo de senhoras de Fão entregou à Corporação, um “estandarte bordado a ouro“, oferecido por:

  • D. Flórida Pinheiro Borda
  • D. Juracy Morais Silva
  • D. Noemy Pinto de Campos
  • D. Albertina Morais
  • D. Aracy Morais Silva
  • D. Belmira Vila Chã Soares
  • D. Elvira Pinto de Campos
  • D. Alice Assunção Costa
  • D. Zulmira Carneiro
  • D. Maria da Piedade Pinheiro Borda

 

Os Quartéis – Do Passado ao Presente

comissao_angariadora_de_fundosEm Fevereiro de 1926 resolveu a direcção da Associação aceitar a parte desocupada do edifício, onde estava instalada a Estação Telégrafo Postal, para Sede da Associação, pelo aluguer de vinte e cinco escudos mensais. Surgia assim, o primeiro local onde se instalou a corporação, até ao ano de 1928.

Como se tratava de um rés-do-chão, de reduzidas dimensões, as Assembleias Gerais da Associação realizavam-se na sala de sessões do “Clube Fãozense”, cedida por esta instituição para o efeito.

O primeiro acontecimento social vivido pela Associação aconteceu no dia 19 de Setembro de 1926, com a  inauguração dos serviços/edifício dos Bombeiros Voluntários de Fão. Do programa, para além da missa celebrada pelo capelão António Alves Nogueira, fazia parte a benção das Bandeiras e das bombas, um exercício de simulação de incêndios na Av. Dr. Manuel Pais, uma corrida de cavalos, no campo do Priorado, em que participava o mexicano D. Juan Tenório e à noite um festival na Alameda do Bom Jesus.

No jornal “O Esposendense” de 14 Setembro de 1926, escrevia-se “(…) a inauguração (…) com alvorada de 21 tiros, toques de clarins e sineta de alarme, missa na igreja matriz, com toque de clarins na elevação; bênção e baptismo com as respectivas madrinhas da bomba, bandeira e material da corporação (…) às 17 horas, no campo do priorado junto ao hospital, corrida de cavalos com os melhores cavaleiros do centro e sul do paiz, apresentados pelo chefe mexicano D. Juon Tenório (…) e o dia termina com um monumental banquete de surpreendente efeito“.

Estiveram presentes as Corporações de Esposende, Póvoa e Barcelinhos. A Banda de Música dos Bombeiros Voluntários de Esposende abrilhantou os festejos.

No mês de Março de 1928 foi lavrada a escritura de doação do segundo quartel dos Bombeiros de Fão, tendo à “Benemérita Associação dos Bombeiros Voluntários de Fão” sido oferecido um prédio urbano, situado na Rua Azevedo Coutinho, junto ao solar da Senra, oferta de dois naturais de Fão, Joaquim e Belmira Soares Estanislau.

O novo espaço, sofreu obras de adaptação a quartel e sede (tratava-se de uma residência), com projecto do arquitecto José Vilaça, suportado através de donativos pela “Colónia Fãozense no Brasil” e pelo “Povo de Fão”. Com a sua inauguração em 2 de Setembro de 1928, de novo se festejou um momento importante da vida da Associação. Conforme noticiava um Jornal da época “foi uma festa simultaneamente simpática, solene e quase em família“. Naquele dia foi cantado um Hino, que o Jornal da época “Ecos da Beira Mar” reproduziu com o título “Hino dos Bombeiros de Fão”:

Se o tufão duma desgraça
Fere a pobre Humanidade,
Nossa solidariedade,
Num esforço de valor,
Leva em breve a cada lar,
Doce lenitivo santo,
– Enxugamos muito pranto!
– E amenizamos a Dor!

Sorriso d’amor
Que apaga porcelas;
Viris sentinelas
P’ra toda a desgraça,
Beleza da Vida,
É no Mundo inteiro,
– O nosso Bombeiro,
O orgulho da Raça!

Que se havia de esperar
Desta gente portugueza
Onde a fertil Natureza
Tem lindo Sol, rouxinóis?!…
Raça altiva de poetas
Que assombram o Mundo inteiro,
E onde cada bombeiro
É o símbolo desses heróis!

Sorriso d’amor
Que apaga porcelas;
Viris sentinelas
P’ra toda a desgraça,
Beleza da Vida,
É no Mundo inteiro,
– O nosso Bombeiro,
O orgulho da Raça!

Se ha um desastre… Se um incêndio
Rompe o sinistro clarão,
Logo o nosso clarão
Arde no fogo do Bem!
E num gesto intuitivo,
Indiferentes aos p´rigos
Em todos vemos amigos
E filhos da terra-Mãe!…

Sorriso d’amor
Que apaga porcelas;
Viris sentinelas
P’ra toda a desgraça,
Beleza da Vida,
É no Mundo inteiro,
– O nosso Bombeiro,
O orgulho da Raça!

Dando nossas mãos de irmãos,
Em prol do homem que sofre,
O nosso peito é um cofre
Da alma de Portugal!
Não nos move uma vaidade…
E se busca os louros,
É p’ra dá-los aos vindouros
Numa herança triunfal!

Sorriso d’amor
Que apaga porcelas;
Viris sentinelas
P’ra toda a desgraça;
Beleza da Vida.
É no Mundo inteiro,
– O nosso bombeiro,
O orgulho da Raça!

(Salvaterra Júnior)

Em 1962, a Benemérita Associação dos B. V. de Fão confrontou-se com a necessidade de mais uma vez alterar o local em que se encontrava sediada, o que na época foi justificado com dificuldades na mobilidade da maquinaria e pessoal, em situações de grande urgência.

Assim e depois de alguma discussão no seio da Associação, (consequência de alguns membros não concordarem com o local proposto para a construção do novo quartel)  e com a venda do edifício situado na Rua Azevedo Coutinho (pelo valor de sessenta mil escudos), decidiram construir um novo quartel, localizado no Largo Avelino Pires Carneiro.

O prédio foi oferecido pelos irmãos António Avelino e Otávio Pires Carneiro, naturais de Fão.

O antigo edifício foi demolido e as obras de construção iniciaram-se em 19 de Outubro de 1962,  decorrendo de forma faseada, tendo sido adjudicadas à empresa de construção civil “Fernando Escrivães e Outros”.

A 18 de Outubro de 1964, aquando da comemoração do 39º aniversário da Associação, foi entregue à corporação uma parte do edifício, para funcionar como quartel.

A construção ficou definitivamente concluída em Janeiro de 1966, tendo o quartel sido inaugurado oficialmente, em Setembro de 1968, momento em que a “Associação dos Beneméritos Bombeiros Voluntários de Fão” comemorava o 43º aniversário.

No ano de 1982 o edifício sofreu obras de ampliação, tendo-se construído um espaço destinado a Bar, para convívio dos elementos da Associação.

Os encargos foram suportados pelo então presidente da direcção, Abel da Costa, com a colaboração do corpo activo, que contribuiu com o seu próprio trabalho para a concretização da obra.

O dia da comemoração dos 43 anos da  Benemérita Associação dos Bombeiros Voluntários de Fão e da inauguração do quartel situado no Largo Avelino Pires Carneiro, 1 de Setembro de 1968, seguiu um programa preenchido, tendo tido inicio às nove horas com a alvorada, seguido do hastear das bandeiras, missa celebrada pelo padre Avelino Borda, da bênção do edifício, romagem ao cemitério, inauguração oficial do edifício, colocação da placa de bronze no salão nobre e terminado com um jantar de confraternização.

Foram convidadas diversas personalidades ilustres como, o  arcebispo Primaz de Braga, Governador Civil do Distrito, Presidente da Câmara Municipal de Esposende, Inspector de Incêndios da Zona Norte, Presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses, presidente da direcção do “Grupo dos Amigos de Fão”, entre outras personalidades prestigiadas da época.